Escrever?

"Escreve-se sempre para dar a vida, para liberar a vida aí onde ela está aprisionada, para traçar linhas de fuga" (Gilles Deleuze)

sábado, 28 de setembro de 2013

Pensamentos - Daniel Barros

Rio Piratini

Na margem esquerda deste rio, existe uma praia de areias brancas,
No horizonte avermelhado, enxergo nuvens cinzentas.
Os pássaros são motivos de sonhos, pois seu voo é solitário e liberto.
Acontece comigo um raro acontecimento,
O encontro deste simples humano, com o maravilhoso verde do mato.
A natureza é festa, porque finalmente encontrei tempo para este encontro.
Na realidade uma volta a mim mesmo.
Analiso este rio, incorporo-me na paisagem, sinto-me totalmente realizado,
Pois o meu convívio com a natureza é em fraternidade.

Encanta-me esse paraíso. No meio de uma cidade sobrevive um  rio, o qual é usado com integridade.



O desassossego das águas

Um brinde ao remanso calmo das águas deste rio, às vezes amigo, outros cruéis e sem pena.
Quem te vê nessa calmaria, nunca poderá imaginar que às vezes te levanta com selvageria, para aplacar a tua ira.
Procuras vingança pelo mal que te fizeram, mas é pena que em tua loucura atinjas a todos sem querer.
Esta é a lei do mundo, os inocentes pagarem pelos criminosos
Que exploram tuas margens com desatino, derrubando matas, desestruturando o solo.
Abrindo espaços brancos para expansão de tuas águas, invadindo de novo, os campos, cidades e vilas.


Devaneios

Do rugido do cão, das fezes do cidadão,
Do descaso da cidade com a natureza em tenra idade.
Nasceu a poluição, o caos, o fim e a imensidão do negrume, do cheiro de enxofre dos gritos do sofrer, do gemer.
O mundo definhou, o verde acabou e enxergamos  somente a cinza das fábricas  dos capitalistas.
Meu mundo era aceitável, passou a ser explorado, maltratado desmantelado.
O fim é irônico, início de uma nova era, se vai o selvagem, primitivo, e na cidade o bundão vigora.
O homem destrói a vida da mesma maneira que se destrói,
Bebendo, consumindo drogas, acaba se destruindo pelo consumismo total.

Um pileque de vida

Estou passado no tempo, não vivo vegeto.
Encontro-me cansado da noite, do trago, as festas perderam seu sabor, pode até ser minha idade ou meu cansaço mental,
Mas o que acontece na realidade é que eu perdi o meu astral.
Sinceramente invejo aqueles que mesmo velhos e resignados passam por jovens livres de qualquer compromisso.
Somente querem saber de festa, trago escárnio e rebuliço.
Vendem sua alma pela promessa de não perderem um gole da taça da vida.
E com isso sonham acordados que puderam passar a perna no tempo.
Se parassem um pouco para pensar veriam em meus olhos o vazio que habita em seu interior agora.
Já não sabem mais parar, dar um tempo para encontrar seus pensamentos, apenas vigora a lei dos alcoólatras, porque beberam o vinho da vida se viciaram e não conseguem mais serem apenas humanos e realistas e aprenderem que a vida quando ingerida de uma só vez é intragável de mais.



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